Songs for sunday

Este fim-de-semana foi, exclusivamente, dedicado a bandas lusas porque “o que é nacional é bom”. Enjoy. Ou, desfrutem, que está mais em sintonia:)

O COMBOIO DOS ATRASOS, Sebastião Antunes e Quadrilha

BÁRBARA E KEN, Virgem Suta

SUMMER DAYS OF FUN-Cais do Sodré Funk Connection

CIÚMES-DJ Ride

Os meus óculos de sol

Acordamos de manhã, depois de uma noite mal dormida. O sol que teima em entrar pela janela, antes da hora, aquecendo-nos o corpo ainda dormente no lençol. O duche em velocidade record. O pequeno-almoço que não se toma e o cabelo que mal se seca. As olheiras a acusarem o tempo em que não as descansámos. O carro à nossa espera para navegar o trânsito da autoestrada que nem com as férias desaparece. E nós a sentirmo-nos pequenas, perante o quotidiano avassalador. Suspiramos, como a querer ganhar forças para tudo o que aí vem. Até que, de repente, levamos a mão ao caos a que chamamos mala e eles aí estão. Uma pequena embalagem capaz de dar a volta a tudo isto. Rapidamente, ajeitamos as hastes na ponta do nariz. E tudo muda. Subitamente, somos super heroínas, com uma identidade secreta e o mundo ganha as cores de um filtro do instagram. Não importa que buzinem. Que nos tenhamos esquecido do telefone em casa e que não haja tempo para um café antes da reunião à primeira hora da manhã. Temos os nossos óculos de sol. E, por trás deles, fica todo um mundo só nosso que ninguém consegue invadir…

Esta coisa de ser menina

O assunto que me leva a escrever hoje é, creio, um tópico comum para muitas mulheres. Essa diferença entre ser tratada por menina ou senhora que, não confessamos a ninguém, mas mexe quase tanto connosco como as oscilações nos ponteiros da balança.

Quem profere estas inocentes palavras nem se apercebe do peso que elas acarretam. Ali, suspensas, como uma sentença com poderes para nos deixar de bom humor ou arruinar o dia por completo. Entramos num táxi e, depois de dizermos o destino, ficamos em suspense, num nível quase aproximado ao de um episódio do walking dead, à espera da palavra que se segue. “Certamente, menina” e a viagem decorre sem percalços como se todos os sinais fossem verdes. “Sim, minha senhora” e fazemos um esgar de sofrimento, tentando dar uma olhadela ao espelho retrovisor para confirmar se despontou alguma nova ruga ou se os cabelos, por um azar do destino, se revoltaram e tornaram, repentinamente, brancos.

Pode parecer secundário, capricho ou de somenos importância, mas, a verdade, é que, bem no fundo, não queremos deixar de ser meninas. De nos lembrarmos do que isso significa e que, afinal, o tempo não é assim tão cruel. E isso vale muito mais do que qualquer anti-rugas:)

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Ps: posto isto, mais uns aninhos e mudo-me para o Norte, onde este tratamento está por defeito mais garantido;)

#constatações

Ha pessoas tão (con)centradas em si mesmas que perdem a beleza de existir…

É estranho estar de regresso. Parece que o blogue tem pó. Que há uma urgência de sacudir as coisas. De fazer algo diferente. Que marque. Que reavive. No fundo, que assinale o momento. É como quando deixamos de falar com um amigo. Vamos inventando desculpas para adiar a chamada. E há uma pressão acrescida. Que nos corrói. Lentamente. Todos os dias pensamos que tem que haver mais. Não basta um olá ou um como estás. É preciso descobrir um porquê. E perde-se a naturalidade. Torna-se um esforço. Partilhado. Com expectativas acrescidas de um lado e de outro. Damos por nós a perscrutar no mais íntimo dos nossos seres qual poderia ser a melhor desculpa. As novidades a serem contadas. Mas elas não aparecem. E, simplesmente, baixamos os braços até deixar de fazer sentido digitar aquele número…

Eu pensei muito nisto. E decidi que, quando se regressa a casa, não precisamos de dar justificações à mobília, nem aos vizinhos. Simplesmente, rodamos a chave na fechadura e vemos quais os ajustes a serem feitos, para prosseguir a nossa vida.

Com este blogue passa-se o mesmo. É uma continuação de mim. Não faz sentido ter de fazer updates. Basta seguir a vida como até então. E prossegue já no próximo post:)