Apanhado no ar ou De como sabotam as minhas tentativas de atividade física mesmo antes de acontecerem:

Antecipando as férias anuais nos Açores, a conversa evoluiu assim:

M- Este ano vou correr.

A- Correr não, mas se fizeres caminhadas, também quero. Preciso de me mexer.

M- (entusiasmado) Sim! Podemos fazer aqueles trilhos de naturez..

A-(interrompendo) Isso não! Já sabes que detesto essas subidas e descidas. Gosto de andar e fazer caminhadas, mas em plano.

M-(com um esgar irónico) Pois. Já não me lembrava que íamos de férias para a Holanda.

A-(…)

Créditos Wikipedia

moderninha

Sexta-feira. Um final de semana cansativo e um dia ainda por gastar. Hoje havia uma sessão fotográfica e pensei q podia fazer jus ao casual friday. Pus umas calças-de-ganga  e uma t-shirt preta, com o meu colar favorito e os adidas super star com um kimono. Rabo-de-cavalo e, pronta para sair de casa, questiona-me o M, em tom de gozo: deixam-te ir assim tão “moderninha”? Sorri perante o termo carregada de ironia e encolhi os ombros. Era sexta-feira. Que outro dia poderia ser melhor para transgredir todos os códigos de vestuário inerentes à vida num escritório?

O dia passou, entre mil tarefas e a indumentária não recebeu qualquer tipo de comentário, o que fez com q me esquecesse da regra de ouro da consultora de imagem q dera há pouco tempo um workshop na nossa empresa-ténis são de evitar e nunca brancos- e que me levara a concluir que só podia estar fora de moda e a passar ao lado desta tendência do comeback dos 90’s, com os ténis brancos a invadir tudo o q era pé fashionista desta cidade.

Fiz uma pausa para um café. Enquanto olhava, distraída , para o feed do instagram, passou um bando de adolescentes do bairro que fica ao lado do nosso parque de escritórios. Nada a assinalar não fosse terem ficado a olhar para mim. Pareceram desaparecer à esquina mas heis que, segundos passados, uma delas espreita. Achei estranho. Ia jurar que me observavam, mas devo ter feito confusão, pensei. Mais uns segundos, e nova cabeça q espreita à esquina. Agora tenho a certeza que sou objeto de estudo. Não tenho tempo sequer para formular hipóteses. Assoma-se uma nova figura que, desta vez, se dirige a mim e solta um “minha senhora, gosto muito do seu estilo”, corando e fugindo ainda mal as últimas palavras foram pronunciadas . Surpreendida, ainda balbucio um obrigada , que já não é ouvido. E regresso ao escritório. Assim “moderninha”, como saí de casa.

Os meus óculos de sol

Acordamos de manhã, depois de uma noite mal dormida. O sol que teima em entrar pela janela, antes da hora, aquecendo-nos o corpo ainda dormente no lençol. O duche em velocidade record. O pequeno-almoço que não se toma e o cabelo que mal se seca. As olheiras a acusarem o tempo em que não as descansámos. O carro à nossa espera para navegar o trânsito da autoestrada que nem com as férias desaparece. E nós a sentirmo-nos pequenas, perante o quotidiano avassalador. Suspiramos, como a querer ganhar forças para tudo o que aí vem. Até que, de repente, levamos a mão ao caos a que chamamos mala e eles aí estão. Uma pequena embalagem capaz de dar a volta a tudo isto. Rapidamente, ajeitamos as hastes na ponta do nariz. E tudo muda. Subitamente, somos super heroínas, com uma identidade secreta e o mundo ganha as cores de um filtro do instagram. Não importa que buzinem. Que nos tenhamos esquecido do telefone em casa e que não haja tempo para um café antes da reunião à primeira hora da manhã. Temos os nossos óculos de sol. E, por trás deles, fica todo um mundo só nosso que ninguém consegue invadir…

Esta coisa de ser menina

O assunto que me leva a escrever hoje é, creio, um tópico comum para muitas mulheres. Essa diferença entre ser tratada por menina ou senhora que, não confessamos a ninguém, mas mexe quase tanto connosco como as oscilações nos ponteiros da balança.

Quem profere estas inocentes palavras nem se apercebe do peso que elas acarretam. Ali, suspensas, como uma sentença com poderes para nos deixar de bom humor ou arruinar o dia por completo. Entramos num táxi e, depois de dizermos o destino, ficamos em suspense, num nível quase aproximado ao de um episódio do walking dead, à espera da palavra que se segue. “Certamente, menina” e a viagem decorre sem percalços como se todos os sinais fossem verdes. “Sim, minha senhora” e fazemos um esgar de sofrimento, tentando dar uma olhadela ao espelho retrovisor para confirmar se despontou alguma nova ruga ou se os cabelos, por um azar do destino, se revoltaram e tornaram, repentinamente, brancos.

Pode parecer secundário, capricho ou de somenos importância, mas, a verdade, é que, bem no fundo, não queremos deixar de ser meninas. De nos lembrarmos do que isso significa e que, afinal, o tempo não é assim tão cruel. E isso vale muito mais do que qualquer anti-rugas:)

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Ps: posto isto, mais uns aninhos e mudo-me para o Norte, onde este tratamento está por defeito mais garantido;)

Tough questions

-do you really want to be normal?

In penny dreadful season finale, to Vanessa

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As palavras não têm horas…

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Já não vale falar de regressos eternamente adiados. Já não vale determinar calendários que não se cumprem. Perdeu a validade a promessa adiada da continuidade,é verdade. Mas a espontaneidade, movida pela vontade súbita de dar espaço e vida às palavras, essa vale sempre. E quando se quiser. Hoje é esse dia. Até já. Sem hora marcada:)

É mais forte do que eu…

…prometi que n ia ceder à tentação. Que desta é que era. Que os blogues dão trabalho. Que não tinha tempo para alimentar a sua alma gananciosa. Que devassam a nossa vida. São ingratos. Como uma amante caprichosa. E que este era o ponto final. Seco. Sem despedidas. E olhar para trás. Mas sou uma fraca, e heis-me de volta a estas páginas. Vencida. Mas feliz:)