Esta coisa de ser menina

O assunto que me leva a escrever hoje é, creio, um tópico comum para muitas mulheres. Essa diferença entre ser tratada por menina ou senhora que, não confessamos a ninguém, mas mexe quase tanto connosco como as oscilações nos ponteiros da balança.

Quem profere estas inocentes palavras nem se apercebe do peso que elas acarretam. Ali, suspensas, como uma sentença com poderes para nos deixar de bom humor ou arruinar o dia por completo. Entramos num táxi e, depois de dizermos o destino, ficamos em suspense, num nível quase aproximado ao de um episódio do walking dead, à espera da palavra que se segue. “Certamente, menina” e a viagem decorre sem percalços como se todos os sinais fossem verdes. “Sim, minha senhora” e fazemos um esgar de sofrimento, tentando dar uma olhadela ao espelho retrovisor para confirmar se despontou alguma nova ruga ou se os cabelos, por um azar do destino, se revoltaram e tornaram, repentinamente, brancos.

Pode parecer secundário, capricho ou de somenos importância, mas, a verdade, é que, bem no fundo, não queremos deixar de ser meninas. De nos lembrarmos do que isso significa e que, afinal, o tempo não é assim tão cruel. E isso vale muito mais do que qualquer anti-rugas:)

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Ps: posto isto, mais uns aninhos e mudo-me para o Norte, onde este tratamento está por defeito mais garantido;)