Morituri te salutant

De manhã, ainda adormecida, optei por ficar em pé junto à porta do metro. Passada uma estação, o rapaz ao meu lado levanta-se e planta-se junto a mim. No início, como é meu hábito, não olhei. Vendo que ali permanecia, lancei um olhar de soslaio. Tinha um sobretudo em tons cinza e na mão um caixote de cartão. De imediato, desci os olhos para ver que dizia. “Vou Morrer”. Assim, a cru, em letras capitais. Olhei para ele. Não dizia nada. Apenas me olhava fixamente e estendia a caixa. “Vou morrer”. Com todo o peso que estas palavras implicam.

Não quis saber de quê, nem como ou quando. Senti-me esmagada pela dor que aquela frase encerrava. Automaticamente, estendi a mão à carteira, dando a maior moeda que lá se encontrava e pensando que, se o fim tinha que ser, que se apaziguasse a ira do Barqueiro para que o auto fosse menos infernal...

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