Achado poderá ser roubado?

Imaginem que a V/janela dá para o páteo de uma vizinha. E que, habitualmente, é precisamente nessa que estendem a roupa, por não terem outra hipótese. Como é óbvio, de x em quando, há um ou outro item que acaba por ter como destino o terraço alheio. Se é chato para a vizinha em causa? Pois claro que é! Se ainda se torna mais aborrecido porque há mais nove andares em que a cena se repete? Totalmente de acordo. Mas dará isso o direito à pessoa em questão de ficar com a propriedade alheia? Tenho para mim que n! Ainda para mais, quando existe um processo selectivo por trás.

Sim, pq tanto eu como a dita vizinha tínhamos um método, uma espécie de acordo silencioso que funcionava na perfeição. Eu deixava cair uma coisa ou outra, à qual os restantes vizinhos adicionavam mais uns pares de meias e panos da loiça, que eram, gentilmente, colocados em cima das caixas de correio da entrada. Poderá parecer um bocado aldeia da Roupa Branca, mas a verdd é que funcionava e evitava estar sempre de dedo na campainha da visada.

Isto até ao dia em que, da janela da divisão ao lado, deixei cair um cinzeiro. Durante alguns dias fui espreitando o “ponto de perdidos e achados” do prédio Andorinho para ver se ele aparecia, mas nada de dar um arzinho da sua graça. Até ao momento em que o avistei, da minha janelinha, bem repimpado na mesa da vizinha! Até agora, ainda n consegui perceber se será cleptomaníaca ou se nos pretende avisar que aquilo é uma espécie de triângulo das bermudas: o que passar daqueles muros jamais regressará!

Assim como assim, passei a recolher com cuidados redobrados as minhas peças de roupa favoritas.