Please leave a message after the tone…

Na agência, de há uns tempos para cá, todos temos fotografias indexadas aos contactos, permitindo a quem está do outro lado, reconhecer (ou rever) o autor do e-mail. Esta é mais uma das pequenas funcionalidades que consideramos como comodidades, dados adquiridos, a juntarem-se a muitas outras que nos permitem estar cada x mais próximos, mm de quem está longe.

Usualmente, n paramos p/pensar muito nisso mas eu hoje perdi 5 minutos a lembrar-me como era a minha vida há uns anos atrás e, “assustador” foi a primeira palavra q me ocorreu.,ao constatar as diferenças. Primeiro, recordei-me do tempo em que enviava comunicados de imprensa para as redacções….via fax.!Depois, recuei às agendas de informação em formato impresso e dossier. Repesquei memórias e vi como era o meu primeiro telemóvel, um Mimo daqueles de tamanho gigantesco, com botõezinhos sorridentes e a caber, dificilmente, em bolso algum. Sorri ao pensar no meu primeiro BIP e nas mensagens ditadas às operadoras. Visualizei as páginas com furinhos da minha primeira impressora (uma Seikosha, vá-se lá saber onde pára essa marca), o computador Hyundai com MS-Dos; o Prince of Persia, os trabalhos gravados em disquetes… e o antes: horas passadas nas bibliotecas, rodeada de livros para beber informação das mais diversas fontes; as folhas de papel cavalinho com riscos feitos a lápis que depois se apagavam para poder escrever com a letra a direito. E os computadores com jogos didácticos, em versão cassete, pois nunca fiz parte do clube de sortudos que teve direito a um Spectrum.

Nessa altura, a distância pesava. Escreviam-se cartas infindáveis, enviavam-se postais para contarmos as férias aos amigos, longos períodos de separação que apenas terminavam com o regresso aos bancos da escola. A ausência era palpável.  Sentia-se. E marcávamos horas para tudo, que cumpríamos à risca, pois não havia a hipótese da sms em cima da hora com o invariável “estou quase a chegar”. Até os telefonemas eram combinados. O que nos fazia dar um pulo no sofá cada x que soava o “triiim,triiim” e aguardávamos AQUELA chamada. Conhecíamos a família dos nossos amigos, que se transformavam, de imediato, no “pai-da-X”  ou “mãe-da-y”, deuses poderosos que era preciso desafiar de cada vez que pretendíamos ligar para comentar o dia, ou combinar a próxima saída.

Sim, a verdade é que faço parte da categoria daqueles que amaldiçoam a vida cada vez que ficam sem e-mail, falha a internet ou cuja bateria do telemóvel se esgota antes do previsto. É uma sensação de impotência que se apodera de nós e que nos deixa “ai, jesus, ai jesus, masagoraoquéqueufaçoàminhavida”?. Por tudo isso, olhamos, incredulamente, para trás, com um sorriso de superioridade, a pensar “que-tolinhos-que-éramos-que-nem-nos-apercebíamos-de-quão-mais-complicado-era-o-nosso-quotidiano”. Mas, se for mesmo sincera, tenho que confessar que muitos são os dias em que dava tudo para voltar atrás e viver, pacifica e incontactavelmente, a minha existência.

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2 thoughts on “Please leave a message after the tone…

  1. Fiquei nostálgica… Era tão bom ter uma hora marcada para estar em casa (às 20h) e não ter ninguém a telefonar e perguntar “Onde estás?”
    E aguardar a resposta das cartas (com mais de 4 páginas escritas dos dois lados)?

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