Pôr o dedo na ferida

Hoje recebi uma das respostas mais directas e melhores de sempre a uma pergunta, aparentemente, simples, mas que traz, invariavelmente, rasteira incluída. Fazendo rewind e situando-vos (tanto quanto possível) a par do que se passou, deparei-me, a meio da tarde, com um e-mail de X, de quem já não tinha notícias há algum tempo. Curiosa como sou, passou, imediatamente, à frente dos restantes que se alinhavam na caixa da entrada, em modo “pick me, pick me”.

Depois da saudação habitual, perguntava, logo na linha seguinte, se tinha estado no Centro Comercial Y, à hora Z, com 4/5 amigas, na zona de refeições perto da loja tal. Face a tão pormenorizada descrição, não restavam dúvidas de que se tratava, efectivamente, da minha pessoa. Imbuída de espírito “keep in touch”, deitei mãos ao teclado, para um breve update da vidinha, e coloquei a derradeira questão: mas porque é que não me foste falar?

Correndo aqui o sério risco de infringir todas as leis da privacidade, não resisto a partilhar a resposta:*

1. não te quis incomodar;
2. podias estar no meio de uma conversa importante e não quis intrometer-me;
3. a comida estava a esfriar e, como tal, não podia deixá-la arrefecer mais;
4. tive medo que a B pudesse achar que tinha um affair contigo ou
com uma das tuas amigas;
5. estava numa troca de ideias extremamente intelectual com a B e
não podia perder o fio à meada;
6. no momento em que te ia dizer “olá” engasguei-me com um grão de arroz;
7. como já estava a ficar tarde, estava com pressa para voltar ao
trabalho e um “olá” iria atrasar-me 0,37 segundos.

Bah, nevermind… Foi mesmo porque nunca tenho lata de falar com as
pessoas a não ser quando tenho mesmo a certeza que estou perante a
pessoa que conheço (isto, em parte, poderá explicar porque é que
demorei tanto a conseguir namoro).

Realmente, não há nada como a sinceridade:)**

*(NA:pese que “vais tão p’ró blog” seja uma das minhas frases mais recorrentes, assumo aqui o compromisso público de não dar uma de Eça e Ortigão e publicar a minha correspondência. Assim sendo, continuem a enviar mails descansadinhos para o sítio do costume)

**X, se me estás a ler, foste o meu sorriso do dia.